Unesco propõe reconstrução em 3D das peças perdidas no museu

madeira pegando fogo e partículas de fuligem
Fonte: Pexels

Após o terrível incêndio que destruiu as instalações do Museu Nacional, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nomeou Cristina Menegazzi como a coordenadora temporária na atribuição de recuperar o museu. Em visita a Brasília, Cristina destacou que o plano de recuperação inclui a contribuição de outros museus e também a reconstrução de determinados itens com impressoras 3D.

De acordo com Cristina, uma parcela das peças em exposição eram duplicatas, o que significa que existem itens similares ao redor do mundo, alguns deles expostos em outros museus. Sendo assim, acredita-se que parte desse conteúdo poderá ser recuperado através de doações feitas por essas instituições.

Já em relação as obras que eram únicas e insubstituíveis, a ideia da organização é utilizar as referências que existem em livros e fotos para replicar os itens com o uso da tecnologia, especialmente das impressoras capazes de imprimir objetos em 3D, que estão a cada dia mais modernas e avançadas. A tecnologia 3D tem revolucionado o cinema, o universo de games e a forma como vários museus exibem suas obras, e deve chegar em breve a outros segmentos, como o cassino online.

Apesar de não carregarem a bagagem histórica dos itens perdidos, essa alternativa oferece ao público a chance de apreciar um protótipo bastante parecido com a obra original, algo capaz de oferecer uma experiência mais real do que somente uma imagem.

Avaliação inicial foi feita por equipe de especialistas

Nos dias seguintes ao incêndio, um grupo de especialistas coordenados por Cristina Menegazzi, que incluiu voluntários vindos de Colonia, na Alemanha, se reuniu para analisar as condições internas e externas do museu, com o intuito de estabelecer um plano de ação sobre como agir posteriormente.

Os especialistas decidiram então se dividir em duas frentes. A primeira delas ficou responsável por preservar a parte estrutural do edifício, tendo em vista que o local possui status de patrimônio histórico e cultural concedido pela própria Unesco. Além disso, a segunda frente foi encarregada de fazer uma varredura pelos escombros e tentar identificar qualquer objeto que tivesse chances de recuperação.

Repercussão internacional do caso

Essa fatalidade gerou uma grande mobilização internacional, com vários países tendo se comprometido a fazer doações para a reconstrução do Museu Nacional, incluindo Canadá, Estados Unidos, Argentina, França, Itália e Alemanha. Este último já disse que irá doar 1 milhão de euros para a recuperação da estrutura externa do edifício e das obras perdidas.

Segundo Marlova Noleto, representante da Unesco no Brasil, a destruição de um museu é uma grande perda para história e a identidade do país, não somente pelo seu acervo de obras, mas também por ser uma instituição de ensino e pesquisa que impactava positivamente na vida de milhares de pessoas.

Mesmo com esse cenário difícil, Marlova Noleto declarou que a repercussão internacional e a ajuda solidária que tem sido oferecida por tantas partes é algo que está gerando otimismo entre as equipes encarregadas pela recuperação do museu. Assim, a expectativa agora é de que essas verbas vindas de doação se juntem ao montante repassado pelo governo, para finalmente dar início a reconstrução do Museu Nacional.